Há histórias que desafiam o tempo e provam que nunca é tarde para concretizar um sonho. Aos 92 anos, Luís Marcelino é um desses exemplos. Utente da Residencial Casa da Quinta, em Terras Pretas, no concelho de Torres Novas, acaba de publicar o livro de memórias “Memórias – Do Mato à Toga”, uma obra onde revisita o percurso da sua vida e deixa um testemunho marcado pela perseverança, pela reflexão e pela vontade de partilhar experiências.

O lançamento da obra levou mesmo a equipa da RTP1 a deslocar-se à Residencial Casa da Quinta, na segunda-feira dia 13 de julho, onde Luís Marcelino participou em direto no programa de Tânia Ribas de Oliveira. A entrevista deu a conhecer ao país não apenas o livro, mas também o homem por detrás das suas páginas e as razões que o levaram, já na nona década de vida, a escrever a sua história. Com uma lucidez notável e uma serenidade conquistada ao longo dos anos, o autor explicou que o desejo de escrever foi amadurecendo durante toda a vida, até encontrar finalmente o momento certo para o transformar em realidade. Essa ideia está resumida em quatro versos que fazem parte da obra e que refletem o espírito com que encarou este desafio:
“Este livro que aqui vai, obra de um pensante,
É um livro brutal,
é uma história autêntica.
Pensei-o durante a vida,
olhando toda a gente,
escrevi-o no meu quarto,
olhando-me a mim mesmo.”
Mais do que um livro autobiográfico, “Memórias – Do Mato à Toga” constitui um exercício de memória, reflexão e partilha, onde Luís Marcelino revisita as várias etapas da sua existência, mostrando como as vivências pessoais podem transformar-se num legado para as gerações futuras.
Um reconhecimento à equipa da Casa da Quinta
Ao longo da entrevista, Luís Marcelino fez questão de destacar o papel da Residencial Casa da Quinta, onde reside atualmente. O autor manifestou publicamente a sua gratidão por toda a equipa técnica e de colaboradores que diariamente o acompanha. Segundo fez questão de referir, foi o ambiente de apoio, dedicação e carinho encontrado na instituição que lhe proporcionou as condições e a tranquilidade necessárias para concluir a escrita do livro e o seu lançamento. As palavras de reconhecimento constituíram também uma homenagem aos profissionais que trabalham junto da população idosa, muitas vezes longe dos holofotes, mas desempenhando um papel determinante na qualidade de vida dos seus utentes.
Um exemplo de que nunca é tarde
A história de Luís Marcelino ultrapassa a publicação de um livro. É, acima de tudo, uma mensagem de esperança e inspiração. Num tempo em que tantas vezes se associa a idade avançada ao fim dos projetos pessoais, o nonagenário demonstra precisamente o contrário: que a criatividade, a vontade de aprender e o desejo de deixar um testemunho podem manter-se vivos ao longo de toda a vida. A participação na RTP levou esta mensagem a milhares de portugueses e mostrou que os lares podem ser também espaços onde nascem sonhos, projetos culturais e histórias capazes de inspirar toda a sociedade. Com o livro “Memórias – Do Mato à Toga”, Luís Marcelino deixa um legado escrito, mas também um exemplo de coragem, perseverança e amor pela vida, provando que nunca existe uma idade limite para escrever uma nova página da própria história.





