Hoje, fui ao lançamento do livro autobiográfico «Recordações de uma vida -do mato à toga» da autoria de Luís Marcelino, no Lar da Quinta S. José, em Terras Pretas, concelho de Torres Novas, onde o autor se encontra a residir nesta fase da sua vida, com a bonita idade de 92 anos.
Entre familiares, funcionárias do Lar e alguns amigos, que se deslocaram ali para testemunhar um dos momentos de grande significado para o autor, Luís Marcelino, e para todos que o ajudaram a dar à estampa o referido livro, registei a presença do tomarense, Fernando Oliveira, ex-autarca da CDU.
Fernando Oliveira, demonstrou ser um dos maiores políticos que já passaram pela Assembleia Municipal de Tomar, em períodos em que o debate político e as causas democráticas eram defendidas com grande entrega tendo sempre subjacente as ideologias e um determinado pensamento político.
À época, Luís Marcelino militava mais à direita enquanto Fernando Oliveira militava à esquerda. Pensamento e militância partidária colocavam estes dois homens em campos opostos. Mas no debate político nunca vi e assisti a faltas de respeito, ao achincalhamento fácil, à crítica rasteira e medíocre. Vi sempre respeito, sendo os protagonistas de bancadas opostas.
Hoje, esse respeito voltou a manifestar-se, Fernando Oliveira foi ao lançamento do livro de Luís Marcelino, cumprimentaram-se com respeito e admiração, provando mais uma vez a verdadeira cidadania e respeito pelo outro, não como político mas como homens que sempre defenderam causas opostas.
Esta é atitude, de ambos, que nos sirva de lição num mundo tão conspurcado pela calúnia fácil, pelo o enxovalho muitas vezes viral em redes sociais.
Saibamos defender as nossas causas, o nosso posicionamento político com elevação e respeito pelo outro, que por detrás de um homem ou de uma mulher há uma circunstância e uma condição humana.
Isabel Miliciano






