A burla associada ao falso arrendamento de imóveis continua a preocupar as autoridades, com milhares de casos registados nos últimos anos e métodos cada vez mais difíceis de detetar. A Polícia de Segurança Pública (PSP) lançou um novo alerta, sublinhando a necessidade de reforçar a prevenção e a atenção dos cidadãos perante este tipo de crime.
Segundo a PSP, o crime de burla tem vindo a assumir uma expressão crescente, impulsionado pela evolução digital e pela sofisticação dos esquemas utilizados. No caso específico do falso arrendamento, os burlões recorrem a plataformas online e anúncios classificados para atrair vítimas com ofertas aparentemente legítimas — imóveis bem localizados, com imagens reais e preços apelativos.
O esquema é simples, mas eficaz: após estabelecerem contacto por e-mail ou telefone, os suspeitos convencem as vítimas a efetuar pagamentos antecipados para garantir a reserva. As transferências são feitas por via bancária, cheque ou até envio de numerário. No final, o imóvel não existe ou está já ocupado, e o dinheiro desaparece.
A PSP identifica diferentes formas de atuação. Em alguns casos, os burlões removem imediatamente o anúncio e cessam todo o contacto assim que recebem o pagamento, levando a vítima a perceber de imediato que foi enganada. Noutras situações, mantêm a comunicação ativa, respondendo de forma evasiva, prolongando a ilusão até que a vítima se desloca ao local e descobre que o alojamento nunca esteve disponível.
Esquemas cada vez mais sofisticados
Há ainda esquemas mais elaborados, em que os criminosos utilizam documentos de terceiros — frequentemente de outras vítimas — para reforçar a credibilidade do negócio, criando uma falsa sensação de segurança.
Os números confirmam a dimensão do problema: nos últimos três anos, a PSP registou 4.553 crimes de burla por falso arrendamento de imóveis. Apesar de uma ligeira descida nas ocorrências desde 2023, tendência que se mantém no primeiro trimestre de 2026, as autoridades alertam que o fenómeno continua ativo e exige vigilância.
A PSP reforça o apelo à prudência, recomendando que os cidadãos desconfiem de ofertas demasiado vantajosas, evitem pagamentos antecipados sem garantias e verifiquem sempre a autenticidade dos anúncios e dos proprietários.
Num contexto em que a digitalização facilita o acesso à habitação temporária, a mesma tecnologia continua a ser explorada por redes criminosas — tornando a informação e a prevenção as principais armas contra este tipo de burla.





