A visita do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, a Abrantes trouxe de volta ao centro do debate três dossiês estruturais para o futuro da região — e reacendeu expectativas que há muito se acumulam no terreno.
Governo sinaliza avanços, mas região exige concretização
Abrantes voltou a colocar-se no mapa das prioridades nacionais em matéria de mobilidade e desenvolvimento territorial. Durante a deslocação desta quarta-feira, 29 de abril, o governante analisou, no terreno, projetos considerados críticos: a desclassificação de um troço da EN2, a requalificação da envolvente da estação ferroviária e, sobretudo, a aguardada conclusão do IC9 com uma nova ponte sobre o Tejo.
Porque, para a região, o tempo das intenções está a esgotar-se.
A mensagem política foi clara: há processos em andamento. Mas, no terreno, a leitura é mais exigente — menos promessas, mais obra.
EN2: de Estrada Nacional a oportunidade urbana
Um dos temas centrais foi a intenção do município de assumir a gestão de um troço da EN2, entre o nó da A23 e a ponte de Barreiras do Tejo. A desclassificação abre caminho a uma requalificação profunda, com impacto direto na qualidade de vida urbana.

O plano passa por modernizar infraestruturas básicas — drenagem, iluminação, passeios — e reconfigurar uma via hoje marcada pela degradação e desadequação ao contexto urbano. A decisão final ainda está em avaliação, mas o objetivo é claro: transformar uma antiga via nacional num eixo urbano qualificado.
Estação de Abrantes: nó estratégico à espera de investimento
Outro ponto crítico é o largo da estação ferroviária de Rossio ao Sul do Tejo, um espaço com forte utilização diária, mas marcado por soluções provisórias e falta de capacidade. O presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, foi direto: há um projeto antigo da Infraestruturas de Portugal que ficou na gaveta — e o tempo de espera terminou.

A pressão agora é para avançar com uma intervenção que aumente estacionamento, melhore a segurança e acompanhe o crescimento da procura ferroviária, num momento em que o comboio volta a ganhar protagonismo na mobilidade nacional.
IC9 e nova ponte: promessa antiga sob nova pressão
Mas é a conclusão do IC9 que concentra maior expectativa — e maior ceticismo. A ligação ao Alto Alentejo, incluindo uma nova travessia do Tejo, é vista como peça-chave para desbloquear o desenvolvimento económico da região.

Segundo o autarca, há sinais positivos: concurso público em curso e compromisso político assumido. Ainda assim, a obra permanece em fase de estudo prévio — um estágio que, historicamente, tem sido sinónimo de adiamentos.
“Queremos acreditar que deixe de ser promessa e passe a obra concreta”, afirmou Valamatos, espelhando um sentimento transversal na região.
Espinhaço de Cão: um problema com solução à vista?
A comitiva passou ainda pelo Espinhaço de Cão, onde os constrangimentos são há muito conhecidos. Aqui, a Infraestruturas de Portugal prepara uma intervenção de fundo, estimada em 3,5 milhões de euros, que promete resolver definitivamente o problema — outro teste à capacidade de execução.
Mobilidade como motor de desenvolvimento
Ao longo da visita, ficou reforçada a importância das três estações ferroviárias do concelho — Alferrarede, Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo — como pilares do crescimento industrial, tecnológico e económico.

A leitura global é inequívoca: Abrantes tem projetos, tem visão e tem urgência. O que falta provar é se desta vez o calendário político acompanha a necessidade real do território. Porque, para a região, o tempo das intenções está a esgotar-se.
Fotos: CMA






