Exmo. Sr. Presidente
Mas recuemos no tempo…
Em outubro de 1962, uma grande manifestação em Tomar contra um projeto, em pleno Estado Novo, que era uma ameaça ao bem-estar da cidade — pretendia captar as águas do Nabão no Agroal e desviá-las para Fátima — foi das raras situações que fez o governo recuar.
Em novembro de 2016, fechou o Parque de Campismo de Tomar (era um dos melhores parques da Europa), deixado em degradação pelo anterior executivo, chefiado por António Paiva. Após multa da ASAE, por o mesmo executivo ter modificado o plano de pormenor e incluído nele a deslocalização do Parque de Campismo, juntando os terrenos aos da antiga Fábrica de Fiação (hoje em completo estado de abandono), previa-se mudar o parque para junto do Açude de Pedra, em terrenos privados.
Foi um duro golpe no turismo em Tomar.
Mais tarde, no mandato da presidente Anabela Freitas, foi reaberto com a única possibilidade de Parque de Estacionamento de Autocaravanas. Acolhido com alegria no seio dos autocaravanistas, vieram à cidade milhares que por ali passaram. Visitaram a cidade, calcorreando as suas ruelas…
Enfrentemos a realidade: o autocaravanismo não é turismo sazonal… é TODO O ANO.
Junto ao rio, junto ao Nabão, que não é só um recurso — faz parte da cultura e da economia da cidade.
Querer enviar o Parque das Autocaravanas para um lugar sem história, longe, de segurança duvidosa, é pura e simplesmente mandá-los embora. Riscar TOMAR dos locais onde somos bem recebidos.
Dizer mal é fácil e rapidamente se destroem as boas memórias; mas dizer bem será difícil — e hoje vive-se do boca a boca.
Aconselho a ver o “Park4Night”, uma das aplicações mais usadas em todo o mundo na procura de espaços de estacionamento e pernoita para autocaravanas. Independentemente de Tomar, podem ler-se milhares de comentários; veja outros relacionados com o espaço que quer criar.
Não estrague o dinheiro dos munícipes em coisas cujo valor acrescentado é nulo, mas sim na grandiosidade da história, da cidade e das suas gentes.
Mário Prista
(Neto de tomarenses que tudo deram pela cidade em troca de nada…)





